quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Da crise feudal o advento da Reforma Protestante fez o mundo pensar e agir diferente

Por Rafael Jácomoe


Para desmistificar o poder da igreja medieval, surgiu o Humanismo, um movimento intelectual que afirmava o homem como o centro de todas as coisas, ou seja, tudo era obra do homem. No campo das artes, letras, filosofia e ciências, surgiu o Renascimento com alto grau de teor de espírito crítico, onde a Razão apurava a veracidade dos fatos e das informações contidas nos documentos da Antiguidade Clássica. O homem era concebido como sujeito do conhecimento, era ele quem iria apreender o objeto, a realidade da qual faria representações.
            Com a intensificação do Nacionalismo, do imperialismo e do colonialismo, os interesses econômicos e políticos eram ditados pelos governantes. As ciências desenvolveram-se extraordinariamente, a ideia de progresso fazia com que o homem estivesse em pleno movimento, de descobertas e rompimento das antigas instituições e crenças. Paralelamente a tudo isto, as religiões buscavam formas para conseguirem manterem-se no poder, elas também deveriam passar por transformações e foram acompanhando sempre o pensamento dominante, muitas vezes fugindo dos seus papéis transcendentais e divinos. No mundo da igreja Católica as crises foram instauradas entre os seus seguidores, muitas vezes descrentes dos seus próprios papéis dentro do contexto atual da humanidade, no processo de integração entre as várias economias e sociedades dos vários países, especialmente no que se refere à difusão de informações, na busca de um mundo de paz, amor, esperança, caridade, salvação, perseverança,... A população urbana, que começava a se escolarizar, consumia avidamente textos de cunho religioso e, sobretudo, de crítica ao papado e à igreja em geral. As doutrinas católicas eram discutidas e contestadas.
Nesse contexto de crise no mundo papal católico, o grande reformador Martinho Lutero foi um dos baluartes a contestar a prática da sobrevivência religiosa utilizada na época. A igreja de Roma metida em sua crise de poder e soberania pregava que qualquer cristão poderia comprar o perdão dos seus pecados. Discordando das atitudes papais, Lutero decretou a Reforma Protestante, mantendo-se contrário a venda de indulgências a todos os cristãos. No dia 31 de outubro de 1517 afixou na porta da igreja de Wittemberg as 95 proposições. Foi excomungado do catolicismo, mas, acolhido pelo príncipe Frederico da Saxônia e apoiado por vários religiosos e governantes europeus, provocou uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, expandindo-se pela Suiça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste Europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente, entre os cristãos romanos e os reformados, originando o Protestantismo, e trazendo consigo mudanças culturais e econômicas por toda a Europa.
Foram defendidos princípios básicos que caracterizaram as convicções e práticas protestantes: os cinco “Solas”: Sola Scriptura (somente as Escrituras), solus Christo (salvação somente em Cristo), sola gratia (salvação somente pela graça divina), sola fides (salvação somente pela fé), soli Deo gloria (glória dada somente a Deus), além do sacerdócio universal dos cristãos. Ocorreu na Suiça a denominada “Segunda Reforma” que originou as igrejas Reformadas, promovendo mudanças mais radicais que as luteranas. Na cidade de Zurique (Suiça) surgiram os anabatistas, mais entusiastas, radicais e fanáticos, defendiam a separação completa entre a igreja e o estado. Também neste mesmo país, na cidade de Genebra, o francês João Calvino se refugiou -1536 a1538 e de 1541 até o final de sua vida. Ela se tornou o grande centro do protestantismo e preparou líderes para toda a Europa, além de abrigar muitos refugiados das guerras religiosas. O Calvinismo foi o mais completo sistema teológico protestante e originou as Igrejas Reformadas (Europa continental) e presbiterianas (Ilhas britânicas). Na Escócia, o protestantismo foi introduzido por John Knox, discípulo de Calvino, e criou o conceito político-religioso de ”prebisterianismo” com igrejas governadas por oficiais eleitos pela comunidade, os presbíteros, livres da tutela do Estado. Enquanto que no Reino Unido o rei Henrique VIII (1491-1547), e seus sucessores implantaram a Reforma no país criando a Igreja Anglicana.
Diante de todas as insatisfações do mundo naquela época, da descrença nas estruturas sociais, políticas, econômicas e religiosas, a Reforma Protestante não queria inovar, mas restaurar antigas verdades bíblicas, vivenciadas pelas comunidades dos primeiros cristãos, que a igreja havia esquecido ou trocado por suas tradições humanas. Valorizaram as Escrituras, a salvação pela graça divina e pela fé somente, sem as obras.
 A Reforma Protestante fez o mundo pensar e agir diferente contribuiu com o crescimento e a transformação em todos os aspectos da humanidade. Não foi somente uma reforma religiosa, mas também politica, econômica e social, ela foi o resultado de décadas de insatisfação crescente com as doutrinas e as práticas da igreja católica, e seus desdobramentos revolucionaram a Europa. Nela se encontram os ideais da revolução inglesa, a ideia de federalismo (que começou entre as igrejas calvinistas da suiça e Inglaterra), a valorização do conhecimento, a separação entre igreja e estado, a ideia dos direitos universais do homem, e muitos outros que surgiram no seu interior.

Rafael Jácome - Deus é Fiel!

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