quinta-feira, 30 de abril de 2020

Os compadres, as comadres, a chuva e os manicacas.

Meus caros amigos leitores, desde do anúncio oficial da Pandemia do Coronavírus, posso afirmar que vivi experiências lindas em Passa e Fica, no agreste do RN. Enquanto que o vírus do Covid-19 trouxe separação, temor e distanciamento, provocando um verdadeiro corte nas relações sociais e interpessoais, fragmentando principalmente a família, tenho uma boa lembrança deste lindo interior.
A minha vivência vai como uma "contra corrente", ou seja, enquanto ocorre um isolamento social na capital Natal, eu vislumbro uma linda convivência social.
Pode parecer estranho, até mesmo indignante, sim, como é trocar a ausência dos meus familiares e amigos da capital, por pessoas estranhas (exceção dos familiares da minha esposa), e, com pouco convívio, somos chamados de compadres. Quem é compadre do esposo, pode chamar suas esposas de comadres. Simples, muito simples!
Nunca pensei que poderia estar na contra mão da Pandemia social: construindo pontes de novas amizades. Quero, meus queridos leitores, dizer que minha experiência não terminava assim: entre um colóquio e outro, me convocaram para colher feijão! Não bastava a alegria de vê-los receber o "Auxílio Emergencial", agora eu ia compartilhar a luta daqueles resilientes que garantem que o nordestino é trabalhador.
Debaixo de um sol enormemente escaldante, entupido de roupas, presenciei a difícil luta cotidiano dos agricultores nordestinos. Como é difícil a vida no campo! A colheita é simples: um saco com tiras para prender nos ombros(ceio) e caminhar retirando os feijões maduros. Claro, não resisti de retirar, à parte, os verdes para uma boa panelada.  Após as colheitas, colocavam o feijão para a secagem. Que batalha! Mas, o tempo nos pregava algumas surpresas: depois de todo o esforço braçal de distribuir o feijão para secar, o tempo mudava e, antes da chuva cair, tinha que recolher tudo. Questão de minutos!
A chuva é sinal de esperança: tempo de trabalhar a terra e plantar. Para quem gosta de trabalhar - e o homem do campo adora, é sinal também de prosperidade.
Outro detalhe importante, meus nobres leitores, foi a forma da relação conjugal entre os meus compadres e comadres. Eles obbservavam a minha relação com Cassiana, minha esposa, e diziam que eu "conversava" muito, tudo era de acordo com ela, ou seja, para eles a última palavra era dela.  Encontraram rapidamente uma forma de me chamar de MANICACA. Conversei com cada um e expliquei a importância do diálogo entre os casais e os filhos e fiz um desafio: vamos criar um clube dos manicacas e escolher o presidente. Concordaram rapidamente e começaram a contar os votos e iniciei com 5(cinco) certos. Mas, aprendi que eleição se vence no dia. Abri o processo eleitoral com direito a discurso, coloquei em votação a necessidade das  esposas votarem(não aceito), mas abriram para as duas amigas presentes. Pense numa disputa acirrada: ganhei no último voto(5 a 4) e o compadre Pelado foi o grande vencedor. Sou o vice, mas não o presidente.

Nenhum comentário: