domingo, 3 de maio de 2020

O Caos, o homem, a pandemia, a anomia social, a dúvida, o Jesus Abandonado e o silêncio de Deus


Por Rafael Jácome

Meus caros amigos leitores, estamos vivendo em um verdadeiro caos. Parece que assistimos inertes a totalidade dos eventos que sucumbem qualquer nível de inteligência humana. Talvez não estivéssemos preparados para enfrentar tamanha desordem universal. O fato é que o caos está generalizado nos quatro pontos do mundo e o sistema caótico cresce na ausência de ordem e no clima de confusões, conflitos, dúvidas e mortes. O caos fragmenta a vivência humana e instaura a impotência nas relações sociais.
O homem na sua natureza de desobediência ao sistema da ordem das coisas, tem buscado a manutenção do estado do caos que ele mesmo implantou, por exemplo: a realidade da ação inconsequente sobre a natureza, a busca incansável do poder, a ganância, o egoísmo, o domínio econômico do mundo, ... ele é capaz de tudo para permanecer no poder! A própria pandemia que estamos vivenciando, é criação em seus laboratórios nefastos e destruidores de raças. Ele não enxerga o próximo: corrompe todas as relações (violência, exploração sexual, calúnia, mentira, exploração dos pobres, opressão das minorias, roubo). 
Com as insanas consequências desta pandemia, foi instaurada uma verdadeira anomia social, determinada pelas relações fragmentadas, os desmontes financeiros - começando no sistema das cidades: temor, desemprego, banca rota, o decreto da instituição do estado de calamidade publica - que abre portas para a instauração da corrupção por parte dos gestores maquiavélicos. Por fim, em uma amplitude internacional no setor produtivo e no desmanche no mercado financeiro.
Todos estes cenários tem gerado conflitos sociais, culturais e principalmente religiosos: pode Deus compartilhar com isto? Por que Ele permite todas estas coisas? Por que tive que pagar com a morte de um filho ou mãe? Verdadeiramente Ele existe para sanar toda está situação? O que está acontecendo me distancia ou me aproxima de Deus? 
Antes de tudo é bom citar que Deus criou a terra de forma ordenada, e criou os homens e as mulheres como seres únicos, capazes de comunicar com Ele. Nenhuma outra parte de relato da criação pode desfrutar deste notável privilégio. Deus criou o mundo com perfeição. 
Entretanto, neste contexto de dúvidas me veio em mente uma tese de Paul Tillich: “A dúvida sincera não separa de Deus, mas é expressão do fundamento da fé. Isto porque a dúvida significa na verdade uma confissão na busca pela verdade. Como para o fiel toda verdade tem de ser divina (se algo é verdade, não pode provir do “pai da mentira”), toda verdade é, de fato, expressão da Verdade. Não pode haver duas verdades, uma natural e outra sobrenatural. A dúvida, então, é expressão da Verdade através do reconhecimento de sua ausência. (...) A dúvida é, pois, inerente a fé, e não pode ser vencida por qualquer forma de repressão cognitiva. Ela tem de ser vivenciada com coragem, e a coragem aponta para uma vitória sobre a dúvida que engloba a manutenção da dúvida. Se nada da dúvida permanecesse, a coragem não seria coragem. A vitória da coragem sobre a dúvida é real, mas fragmentada.” (Tillich, 1985) 
 A dúvida nos relaciona, através da fé, ao caminho de restauração da humanidade realizada em Jesus Cristo. Vejamos um dos trechos mais forte do Novo Testamento: “ Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (MT 27.46). Talvez seja o momento de maior dor de Jesus e a ocasião de finalizar o projeto de Deus para com a humanidade: mesmo no abandono entregou o seu espírito  ao Pai, decretando a vitória sobre a morte. 
Fico pensando, meus queridos leitores, o que pensava Jesus sobre o silêncio de Deus? Quantos pais de famílias, irmãos, parentes, amigos, choram a perda dos seus? Esperam ouvir a voz de Deus, mas nada escutam e nada entendem: estão se sentindo como o próprio filho em relação ao Pai: abandonado. Mas, Deus nunca nos desampara ou nos abandona, apenas aguarda o momento certo para intervir com vitórias. Assim fez com Jesus, assim faz com cada um de nós. É questão de fé!
Na bíblia encontramos a certeza de que tudo passa e esta  pandemia vai passar deixando marcas profundas, mas, permanece o sentimento encontrado em Teilhard de Chardin “O melhor acaba sempre acontecendo e o futuro é melhor que qualquer passado”. Esta frase consola a todos que nunca tiveram dificuldades em conceber que a profunda esperança em um futuro que vai constituindo o universo e a humanidade tal como deve ser.  Talvez seja uma visão metafísica, que tende na direção do equilíbrio da física e da metafísica, entre ciência e fé e que estas realidades não realizam apenas uma síntese, mas uma unidade. 
Enquanto isso, sigo aguardando a vinda gloriosa do Senhor Jesus!
                           Rafael Jácome

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