sábado, 25 de julho de 2020

Arqueologia, Cepas de varíola são encontradas em esqueletos vikings de 1400 anos

Cepas de varíola são encontradas em esqueletos vikings de 1400 anos (Foto: Thames Valley Archaeological Services)

REDAÇÃO GALILEU

A análise genética de dentes de diferentes esqueletos viking descobertos no norte da Europa revelou a presença de cepas extintas do vírus causador da varíola. O estudo, publicado nesta quinta-feira (23) na Science, prova pela primeira vez que a doença já existia há 1400 anos — um milênio antes do que se pensava.

A varíola se espalha de pessoa para pessoa por meio de gotículas infecciosas. Ela é altamente letal: só no século 20, matou aproximadamente 300 milhões de pessoas. A erradicação só aconteceu em 1980, graças a um esforço global de vacinação em massa.

"Nós já sabíamos que os vikings se movimentavam pela Europa e além, e agora sabemos que eles já tinham varíola. As pessoas que viajam pelo mundo espalham rapidamente a Covid-19 e é provável que os vikings espalhassem a varíola", explicou Eske Willerslev, que liderou a pesquisa, em comunicado. "Naquela época, eles viajavam de navio, e não de avião. As informações genéticas de 1400 anos extraídas desses esqueletos são extremamente significativas porque nos ensinam sobre a história evolutiva do vírus que causou a varíola."

Os historiadores acreditam que a varíola exista desde 10 mil a.C., mas até agora não havia provas científicas de que o vírus estivesse presente antes do século 17. Não se sabe como ele primeiro infectou os seres humanos, mas acredita-se que tenha vindo de animais. "A versão inicial da varíola estava geneticamente mais próxima, na árvore genealógica, aos vírus da varíola animal. Ela não se parece com a varíola moderna, mostrando que o vírus evoluiu", disse Lasse Vinner, coautor do estudo.

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